sábado, 4 de abril de 2009

A LÍNGUA PORTUGUESA E O FUTEBOL
Prof. Luiz Gonzaga Pereira de Souza
Ao se deparar com este texto, o leitor, provavelmente, ficará curioso e, creio eu, desejará imediatamente saber de que se trata.
Quando estudo com os meus alunos análises SINTÁTICA e MORFOLÓGICA, costumo, para elucidar melhor a matéria e fazê-los compreender o assunto de uma vez por todas, aplicar uma analogia entre o funcionamento de uma equipe de futebol dentro de campo e o funcionamento das palavras dentro da oração. De que forma?
Acho melhor começar o assunto lembrando que o professor de português, ao aplicar exercícios ou provas, tem por hábito sublinhar um termo da oração e pedir ao aluno que identifique a sua função sintática.
Exemplo: O Brasil e a Venezuela são países da América do Sul.
Pergunta-se ao aluno: Qual a função sintática do termo sublinhado?
1. SUBSTANTIVO – A resposta está incorreta porque foi informada a classe gramatical da palavra e não a função sintática que o substantivo exerce na oração.
2. NÚCLEO DO PREDICATIVO DO SUJEITO. Aqui, sim, a resposta está correta porque identifica a função que o substantivo exerce na oração.
Trata-se de assunto simples. Fazer análise MORFOLÓGICA é informar a classe gramatical da palavra dentro da oração e, fazer análise SINTÁTICA é informar a função exercida por uma das classes gramaticais, dentro da oração. No exemplo supra, identificamos, pois, a função que o substantivo países, uma das dez classes gramaticais, exerce dentro da oração. Trata-se, pois, de duas coisas bem distintas, mas muito ligadas.
Por enquanto nada esclareci a respeito do futebol. Agora, sim, posso fazer a analogia a qual mencionei anteriormente, elucidando as dúvidas, da seguinte forma:
Um time de futebol de campo é composto de (11) onze jogadores. Cada jogador tem o seu nome de batismo ou apelido. Exemplo: Dida, Ronaldo, Ronaldinho, Kaká, Roberto Carlos, Zé Roberto, Lúcio, Juan, Adriano, Kafu, Emerson.
Todos sabem que cada um dos profissionais tem uma função dentro do campo: goleiro, zagueiro, lateral, meio de campo, centro avante, etc.
Pode ocorrer que um dos jogadores exerça outra função, que não seja a sua, deixando, às vezes, de ser zagueiro para assumir a função de lateral.
Na gramática acontece algo muito parecido. Vejamos: As classes gramaticais, em Português, são em número de (10) dez. O nosso time possui, pois, um jogador a menos, não importa. Quais os nomes de nossos jogadores: substantivo, adjetivo, advérbio, conjunção, interjeição, preposição, numeral, pronome, verbo, artigo.
Cada um de nossos jogadores gramaticais podem, em campo, ou seja, na oração, desempenhar funções diferentes, como cada pessoa, no futebol. No exemplo dado, naquela oração mencionada acima, o substantivo países, nome do jogador = nome da classe gramatical, está jogando na posição de núcleo do predicativo. Agora, veja bem, o substantivo países (nosso jogador), na oração abaixo, recebeu outra função no campo, em nosso caso, na oração:
Ex.: Os maiores países da América do Sul são Brasil e Argentina.
Pergunta-se:
· Qual a função sintática da palavra destacada? --> Resposta: núcleo do sujeito. · A que classe gramatical ela pertence? --> Resposta: substantivo.
Outros exemplos:
1. Os jogadores do Cruzeiro receberam uma boa recompensa do clube. 2. Você conhece todos os jogadores do Cruzeiro?
Pergunta-se:
· Qual a função sintática da palavra jogadores na primeira oração? --> Resposta: Sujeito.
· A que classe gramatical ela pertence? --> Resposta: substantivo
* * * *
· Qual a função sintática a palavra destacada na segunda oração? --> Resposta: núcleo do objeto direto.
· A que classe gramatical ela pertence? --> Resposta: substantivo
Assim sendo, o substantivo recebeu funções sintáticas diferentes nas duas orações, da mesma forma que um jogador pode receber funções diferentes em uma ou outra partida de futebol. Às vezes, quem sabe, o técnico muda a função do jogador em um jogo contra outro time. Não é verdade? Com o goleiro é mais difícil acontecer. Raramente ouvimos dizer que um goleiro tornou-se centro-avante.
Esta comparação tem como objetivo fazer com que os estudantes não confundam as funções sintáticas e morfológicas nas orações. Espero que você, meu atencioso leitor, tenha entendido a comparação e aprendido, definitivamente, a fazer a análise sintática e morfológica, promovendo a distinção entre uma e outra, conforme a comparação apresentada acima.
Um grande abraço.
Prof. Luiz Gonzaga